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Friday, September 11, 2015

Shinrin-yoku ou uma explicação bioquímica do prazer de passear entre as árvores

Não que se precise de uma explicação desse tipo, mas é interessante que pelo menos alguns prazeres sejam vitais até numa perspectiva ultraobjetiva. Aqui.

Tuesday, January 7, 2014

Asma e dieta

A BBC reporta que um estudo da Universidade de Lausanne encontrou uma relação entre dietas pobres em fibras e maior vulnerabilidade a asma em ratos.

Traduzo parte do artigo, de James Gallagher:

"As células do corpo humano são muito menos numerosas que os trilhões de micróbios que vivem nele.
Há cada vez mais evidência de que essas bactérias têm um impacto significativo sobre a saúde.

Uma equipe da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou que dietas com alto e baixo teor de fibras alteram os tipos de bactéria que vivem no intestino de ratos.

Bactérias que se alimentam de fibras solúveis, encontradas em frutas e vegetais, prosperam com uma dieta de alto teor de fibras e produzem assim mais ácidos graxos de cadeia curta – um tipo de gordura absorvido pelo sangue.

Os cientistas dizem que esses ácidos graxos agem como sinalizadores para o sistema imune e resultam em pulmões mais resistentes à irritação.

O contrário acontece com dietas pobres em fibras, e os ratos se tornam mais vulneráveis à asma.

O relatório argumenta que a mudança de uma dieta rica em fibras para uma de alimentos processados pode estar envolvida nos crescentes níveis de asma.

"Nas últimas décadas, houve um aumento bem documentado da incidência de asma alérgica em países desenvolvidos, simultaneamente a tal aumento houve alterações na dieta, inclusive redução da ingestão de fibras.""

Monday, November 4, 2013

Livro: "Crianças francesas comem de tudo"


Link para o site da autora, onde se pode ler um capítulo de graça: http://karenlebillon.com/books/

A princípio esse livro pode parecer não vir ao caso. A autora descreve uma situação inicial calamitosa, em que ela própria tem um paladar super restrito, praticamente não sabe cozinhar, as crianças não comem nada... Mas justamente me "pegou" perceber quanto não só os hábitos alimentares por aqui estão lentamente (ou nem tanto) tendendo a esse padrão muito baixo, mas como nossas atitudes "combativas" vão na mesma linha (anglo-puritana): eu tenho de admitir que frequentemente penso em me opor à miséria alimentar... não deixando a minha família comer besteira, não comprando isso e aquilo, não, não...

Os franceses médios, segundo a autora, não pensam em se opor a nada, mas em gozar cada vez melhor da comida. Associam alimentação a prazer, não a restrição, e entendem prazer não como um fenômeno primitivo e/ou natural, mas como algo que se aprende a obter - que se refina e intensifica. Isso foi o que realmente me interessou. O que é bom é determinado no interior de uma cultura dos sentidos que refina, que faz com que afinal se escolha comer melhor - e menos - o que eles associam a uma "maturidade" (os americanos comem como crianças, dizem). É enfim o a,b,c das ideias de educação, gosto, cultura, mas foi reanimador vê-lo ser descoberto tão cândida e claramente.

Por aqui, o livro me fez passar a por a mesa decentemente, sentar com uma disposição para apreciar ao máximo a refeição e a conversa, variar o cardápio - coisa muito importante, porque eu andava repetindo demais, estava acovardada - e falar com renovado interesse sobre comida com meu marido, sobre o que gostamos, o que estamos com vontade de comer, sobre alimentos que nos fazem bem ou mal... Mais importante ainda, a leitura me fez sentir menos como se eu estivesse me submetendo a uma prova de competência como mãe ao alimentar o meu filho. Nada como uma americana para guiar uma desamericanização...

Wednesday, July 31, 2013

Câncer e antenas de celular

81,37% das pessoas que morreram de cânceres reconhecidamente causáveis por radiação eletromagnética ("próstata, mama, pulmão, rins, fígado, por exemplo") em Belo Horizonte de 1996 a 2006 moravam a até 500 metros de antenas de celular. Este é o resultado da pesquisa de doutorado de Adilza Condessa Dode, cuja tese foi defendida na UFMG em março de 2010.

Link para a tese.

Link para o resumo no boletim da UFMG.

Thursday, November 18, 2010

Carolyn Steel: Comida e cidade

É engraçado, nos últimos anos desenvolvi uma preferência por ouvir informação. Gosto de ouvir notícias no rádio, gosto muito de audiobooks, especialmente de poemas, gosto dessas e de outras palestras.

Bom, mas o assunto principal é novamente o que comer significa. Essa mulher fala sobre como a comida organizou a urbanização até a disseminação da indústria, e como continua organizando hoje em dia - ou desorganizando.

Uma coisa que ela diz quando tenta vislumbrar alguma solução é que é preciso voltar a pensar em comida como nossos antepassados: como o centro da vida cotidiana. Não como aquilo que é preciso resolver rápido e barato antes de fazer coisas mais importantes - o que mesmo?

Wednesday, November 10, 2010

Video: Palestra de Jamie Oliver sobre obesidade e educação

Jamie Oliver é um caso interessante. Ele começou como um produto de entretenimento: um garoto rápido, falante, bonito... que sabia cozinhar - por sinal, também rápido. Certamente havia um interesse social por aquilo, tanto que o garoto foi convidado a cozinhar para o primeiro ministro e ganhou sei lá o que da rainha, coisa de inglês.

E uma vez figura pública, começou a parte interessante. Fez uma escola para integrar jovens com problemas ensinando-os a cozinhar. Foi à Itália, escreveu um livro cheio de reflexões meio cruas sobre o quanto a atitude dos italianos em relação à comida é diferente; desse livro, minha parte preferida é a de carnes, aberta por uma foto de um cordeiro recém-abatido, sangrando, e o texto que discute a imagem. Até aí, nada que a rainha desaprovasse.

Depois, ele começou uma campanha para conscientizar os ingleses sobre o que as crianças estavam comendo nas escolas. A coisa foi crescendo, até que o cara declarou que os supermercados vendem lixo, as crianças comem lixo e os pais as estão matando, se mudou para um sítio e passou a defender com unhas e dentes uma alimentação orgânica baseada nos insumos locais de pequenos agricultores. Nesse vídeo ele diz claramente que a indústria alimentícia e os governos são co-responsáveis pelo maior problema de saúde pública do mundo.

A gente pode torcer o nariz pra abordagem expositiva, pro carrinho de cubos de açúcar, para os vídeos melodramáticos. Mas me parece, honestamente, que a exposição é adequada à ingenuidade, ao grau de barbarização, digamos logo, a que o público chegou. A cena que melhor ilustra isso é aula sobre vegetais no jardim de infância: as crianças não sabem o nome de nada, não reconhecem um tomate, uma batata. Só por isso vale a pena assistir.

Thursday, October 28, 2010

Peso e saúde: ódio

Notícia publicada ontem dá conta de que estudantes universitários agarraram e montaram moças obesas durante jogos interfaculdades. Chamaram isso de "rodeio de gordas". A universidade, na pessoa do reitor, disse que vai estudar medidas disciplinares mas não abrirá um "processo inquisitório". Outra notícia diz que a promotoria de Araraquara vai apurar o acontecido.

É um sinal de que esse ódio contra os gordos não é miragem. Ódio do diferente que ameaça a identidade não é coisa nova. Outra raça, outro credo, outra prática sexual. Mas por que agora o gordo ameaça? Vou direto ao que me parece ser o ponto: hoje o poder "passa" pelo corpo, dizia Foucault. Não é que as práticas de poder terminam por moldar o corpo e as práticas corporais, mas que o poder incide diretamente sobre o corpo.

Hoje, digamos nós, também da disciplina caracterizada por Foucault se prescinde. Se a escola, a prisão e a fábrica escapam da órbita do Estado para disciplinar por meio de regulamentos todos os atos físicos - quantas horas se dorme, que horas se acorda, portanto o quanto se sonha e lembra dos sonhos, etc., etc. - hoje-hoje a sociedade de consumo do novo trabalho deixa que os sujeitos se tornem também os disciplinadores de si (pois já não viraram os empreendedores da própria vida?).

Não é preciso ter consciência. Aliás, quanto menos consciência, melhor. Não é bom refletir. O poder incide diretamente sobre o corpo significa que ele prescinde também das palavras em que a regra e a resistência se formulariam. Basta a palavra-slogan.

Não é preciso haver imagens no sentido forte, ou seja, imagens de algo. Aliás, é preciso justamente que os sujeitos creiam nas imagens tanto mais fortemente quanto menos elas guardem relação com algo real. Donde as imagens-leis, enunciadas pelo photoshop.

A crítica fundada na psicanálise explica que há uma regressão geral ao imaginário. Como se o domínio simbólico, da lei e da palavra, tivesse deixado de existir. Evidentemente, não deixou. Nós é que o negamos, sabendo que ele existe. Nós é que achamos que pode haver lei e, ao mesmo tempo, aquilo que a infringe, mas sem punição: o rapaz que organizou o rodeio o chama de "brincadeira". O que ele fez, ele sabe que é errado. Deixa de ser se se põe no espaço onde não vale a lei porque não se faz nada a sério. Ali, violência passa a chamar brincadeira.

No debate mundial esse regime de vale-mas-não-vale chama cinismo ou perversão. No Brasil, o país da escravatura gentil e assassina, tudo isso caiu como uma luva. É o país do futuro. A vanguarda da barbárie.

Mas voltando à big picture: uma indústria alimentícia fundada num regime fundiário concentrador impõe à população mundial um regime alimentar que leva à obesidade. Não é à toa que o relatório das Nações Unidas sobre a epidemia de obesidade levou, desde o começo da década, a uma pesquisa conjunta entre a parte da organização que cuida de saúde e aquela que cuida da agricultura. É óbvio, mas sempre esquecido, que nossa alimentação é um resultado direto da organização global da agricultura.

Uma palavra sobre esse "impõe" do parágrafo anterior: parece que os indivíduos escolhem comer pizza e não comer salada e que, portanto, se são gordos é porque escolhem sê-lo. Concordo que cada vez que alguém põe algo no prato há escolha, mas é uma ingenuidade sem tamanho achar que essa escolha é livre, que a pizza e a salada têm diante do sujeito as mesmas chances. E não estou falando do instinto que nos faz preferir gordura - um dispositivo biológico que não tem a última, mas a primeira palavra.

Estou falando do contexto da escolha que envolve um sujeito exausto, frustrado, entediado, sedentário, emburrecido, deprimido - nenhuma dessas coisas por escolha própria - que tem de escolher entre uma pizza que ecoa todas essas emoções, vem numa caixa colorida e não implica nenhum trabalho e nenhum contato com a matéria viva, e um monte de ingredientes que têm de ser escolhidos, comprados com frequência, lavados, misturados... ou seja entre uma comida que harmoniza com o tédio, o ódio, o amortecimento e regressão da sensibilidade e outra que exige algo de nós, escolha, trabalho, refinamento do paladar, paz mental... e não dá o prazer imediato e fácil da gordura.

E nem é preciso na verdade que o sujeito esteja exausto etc., basta que seus pais tenham estado para que se forme um hábito alimentar difícil de mudar. E se todos comem assim à sua volta, como é que você vai mudar? De onde vai tirar forças pra fazer diferente na sociedade do consenso absoluto?

O contexto da escolha não tem a ver com a organização mundial da agricultura nem com a indústria alimentícia. Acho que tem a ver com o novo trabalho. O trabalho pós-fabril, o telemarketing, o neo-taylorismo. Mas por hoje chega.

Saturday, October 23, 2010

Peso e saúde, the big picture

No site da Organização Mundial da Saúde a gente acha esse mapinha,

que permite pesquisar dados sobre peso de diversas populações.

Lá se aprende que 32,2% dos americanos estão com sobrepeso (têm IMC entre 25 e 29,99) e quase 34% estão obesos (IMC igual ou maior que 30). Ou seja, dois terços da população está gorda ou morbidamente gorda. 35,7% têm peso normal e 2,4% estão abaixo do normal. Engraçado que somando esses números não dá 100. Hm.

No Brasil 29,5% da população estão com sobrepeso e 11,1% obesos. Isso quer dizer que 40% das pessoas estão fora do normal. 55,4% da população têm peso normal e 4% estão abaixo do peso.

O mais interessante é que o mapa dá uma noção da escala mundial do problema. Não são só os Estados Unidos, é todo o mundo desenvolvido que está gordo, muito gordo. Não é só o Brasil, são todos os países em desenvolvimento que estão engordando. Como continuar acreditando que a responsabilidade é só ou mesmo preponderantemente dos indivíduos? Como, então, acreditar que campanhas que buscam mudar os padrões de escolha vão dar conta do recado?

Peso e saúde, medo

Para além da superficialidade das campanhas, pensemos. Óbvio que onipresença de imagens de mulheres irrealmente perfeitas e a propagação desse ideal no cotidiano pela "conversa gorda" não são os únicos fatores provocando a escalada de neurose e distúrbios alimentares. Ainda que fossem, seria preciso pensar porque essas imagens e conversas são tão poderosas.


O que se passa, penso eu, é que a epidemia de sofrimento alimentar (neuras + distúrbios) é o complemento da epidemia de obesidade que é, ela mesma, um fenômeno complexo. Fica cada vez mais difícil não ser obeso (quer dizer, morbidamente gordo), daí as pessoas com peso normal e, mais compreensivelmente, aquelas que têm dificuldade para se manter assim estigmatizam os obesos e procuram se diferenciar radicalmente deles. O temor saudável que leva a comportamentos que evitam a doença se transforma, uma vez perdida a conexão com o real, em pavor, fobia irracional que precipita sofrimento, doença e, não esqueçamos, agressividade.

E o que é o real que a gente não deve perder de vista? OBESIDADE É UM PROBLEMA DE SAÚDE CAUSADO POR FATORES QUE VÃO MUITO ALÉM DAS ESCOLHAS INDIVIDUAIS. Pensar o contrário é típico do pior protestantismo: se você é pobre ou gordo, é porque não tem capacidade ou força de vontade. Eu tenho, complementa o(a) acusador(a), ah, eu tenho que ter.

A foto veio daqui.

Friday, October 22, 2010

Peso X saúde


Fat talk free week é o nome de uma campanha contra a "conversa gorda", assim numa tradução tosca, ou conversa sobre gordura. É aquela lenga-lenga: "que bonita que você está, emagreceu?", "nossa, ela tá parecendo um colchão amarrado naquela roupa". Beleza=magreza, feiúra=gordura. Então, a proposta é parar com isso, cortar essa associação. O pressuposto, vão dizer, é o mesmo do politicamente correto: o que não se diz, não se pensa. E todo mundo sabe que não é preciso dizer pra pensar ou sentir, e nem tudo que a gente diz corresponde ao que a gente de fato pensa ou sente. Mas nesse caso eu acho válido, pelo menos como ponto de partida. Porque não se trata afinal de propaganda e contra-propaganda?

O vídeo, cujo tom super americano pra falar a verdade me incomoda, vale a pena pelo menos pelas estatísticas. Aqui, pelo menos pra mim, elas ajudam a tornar mais concreta a sensação cotidiana de que tem alguma coisa muito errada na cabeça das mulheres. Pra quem não sabe inglês ou simplesmente gostaria de contemplar com calma:
- 54% das americanas que esses caras entrevistaram prefeririam bater com um caminhão a serem gordas;
- 81% das crianças de 10 anos têm medo de ser gordas;
- 67% das mulheres entre 15 e 64 anos já se abstiveram de participar de atividades sociais (como dar uma opinião, ir à escola, ir ao médico) por não se sentirem bem quanto à aparência;
- 10 milhões de americanas sofrem de anorexia ou bulimia;
- as modelos estão numa faixa de magreza que inclui apenas 2% da população;
- se os manequins de loja fossem reais, seriam magras demais para ter filhos.

Friday, October 1, 2010

Mooncup: coletor menstrual


Poucas mulheres sabem da existência desse coletor, pouquíssimas usam e, na minha modesta opinião, todas deveriam experimentar. Mas, como sempre, há mais coisas entre a informação e a prática do que julga a minha vã filosofia. Vamos portanto às objeções que ouvi ao dar o que inocentemente supunha que ser uma boa nova.

Tem gente que não gosta de colocar nada dentro da vagina. Essas não usam nem tampão. De todas as opções, os absorventes me parecem a mais desconfortável, já que eles, pelo menos nesse país tropical, esquentam e abafam. Além disso o cheiro ruim que frequentemente aparece é um sinal de que ali se desenvolvem mais facilmente bactérias indesejáveis. Mesmo que se troque frequentemente, a vagina e os lábios ficam necessariamente lambuzados de sangue, o que pode irritar a pele e provê um meio de cultura quente e úmido - quem já usou tampão e absorvente não pode ter deixado de notar que o cheiro que fica no corpo é muito mais forte com absorvente. Uma consulta com uma ginecologista feminista serviria pra essas mulheres que têm nojo de por o dedo dentro de si verem que o sistema sexual e reprodutor é tão acessível, cognoscível, manipulável e, sobretudo, amável quanto qualquer outra parte do corpo. Ou até mais, já que esses são os órgãos do amor e da vida.

Um pouco sobre essas ginecos especiais. Na consulta, a médica ou enfermeira orienta a paciente a introduzir o "bico de pato" (aquele aparelho que abre a vagina para o exame), depois, com um espelho, mostra as diferentes partes, e depois, com um modelo, explica onde fica o útero etc. Você deita numa cama, e não fica naquela posição de frango assado sem ver o que o outro está fazendo com o seu corpo. Pode perguntar o que quiser, a pessoa não vai responder friamente nem te tirar de ignorante, como às vezes (pra ser generosa) os médicos fazem. O lugar que eu conheço aqui em São Paulo chama Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e fica perto do Largo de Pinheiros. Recomendo muito, pra todas.

Mas então, continuando com a história do mooncup. Tem gente que acha que com o coletor vai haver mais contato com o sangue, e tem gente que tem nojo de tocar o próprio sangue. Isso vem, me parece, de duas fontes. A primeira é a associação entre sangue e morte. Quando a gente vê sangue é porque um corpo se abriu, o que deve ficar dentro saiu. Tem gente que desmaia de ver sangue, mesmo em pequenas quantidades. Se o nojo do sangue deriva do medo da morte, aí só tratamento psicológico fuerte.

A segunda causa da repulsa ao sangue me parece a associação com contaminação, doença. Não estou dizendo que sangue não é contaminante, mas o seu próprio sangue não vai te contaminar com nada que você já não tenha, e se trata, afinal, de tocá-lo com as mãos. Além disso, e aí o sentimento está apenas vagamente relacionado ao medo da doença, o sangue menstrual tem coágulos e uma viscosidade maior, mas quem só quer tocar substâncias homogêneas também tem que ter nojo de terra, de grama, de muita comida... É uma questão pessoal, mas acho que quanto menos nojos injustificados a gente tem, melhor.

Finalmente, e aqui é um temor justificado, tem a questão de saber se o troço é higiênico e seguro. As intruções dizem pra jogar o sangue na privada, lavar com água e sabão ou, se não for possível, simplesmente limpar com papel higiênico e reinserir na vagina. No fim de cada ciclo ele deve ser esterelizado por fervura ou por imersão numa solução esterelizante. Mas o procedimento durante o ciclo não favorece infecções, já que você não esteriliza o copinho? Escrevi um email pro fabricante e as responsáveis me responderam o seguinte:


"We were really careful to choose a material that is certified safe for internal use and does not encourage bacterial growth-medical grade silicone.

The vagina is a self -cleansing organ, and is active in keeping itself clean and safe. Daily vaginal discharge protects the vagina and keeps it healthy and this continues during the period too.

The Mooncup has never been associated with Toxic Shock syndrome or with an increased risk of bacterial infection."


"Tomamos realmente muito cuidado para escolher um material certificado como seguro para uso interno e que não propicia crescimento bacteriano - silicone para uso medicinal.

A vagina é um órgão autolimpante, desenvolve atividade para manter-se limpa e sã. A secreção vaginal diária protege a vagina e a mantém saudável, e isso prossegue durante o período menstrual também.

O mooncup nunca foi associado com a Síndrome do Choque Tóxico ou com um maior risco de infecção bacteriana".


Vou perguntar se há algum estudo científico, e volto a escrever. O coletor foi aprovado pelo FDA em 2006 (e creio que não havia nenhuma grande indústria pressionando por essa aprovação). Como produto, ganhou diversos prêmios. Se você se adapta, pode deixar de consumir parte dos mais de 10.000 tampões ou absorventes que uma mulher usa durante sua vida menstrual e seu bolso e a natureza agradecem. O mooncup não dura toda vida, mais precisa ser trocado apenas após anos. O site do fabricante inglês tem um FAQ para outras dúvidas, um email para outras perguntas (escrevi de manhã e me responderam na hora do almoço - ou seja, imediatamente, se a gente conta com a diferença de horário) e instruções para compra, para quem se interessar (inclusive existem "distribuidoras" aqui no Brasil).

Tuesday, September 14, 2010

Reabastecimento

Ontem eu tive uma virose, ou uma intoxicação alimentar, não sei. Embora seja de gosto duvidoso postar sobre isso, esse tipo de revertério é comum e acho que essas dicas podem ajudar.

Fora o óbvio (repouso e hidratação) acho que maçã e levedura ajudam. A maçã, principalmente pela pectina. Nessa circunstância, é melhor sem casca, e se a coisa estiver muito ruim, cozida. Quando nada desce, acho mais fácil comer maçã cozida que arroz ou batata.

A levedura - por aqui uma marca é Floratil - é um comprimido para recolonizar o intestino com as bactérias de que a gente precisa. Acelera muito a recuperação.

P.S. A batata da foto tem um pouco de requeijão, mas isso é porque eu já estou melhor, gordura e leite não são recomendáveis.