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Saturday, November 4, 2017

Privação, falta, abstinência de sono

Chegou a mim pelo fb esse artigo sobre pesquisas sobre a privação de sono. Durante o período pós-parto, foi a pior coisa pra mim, fez um estrago considerável. Acho importante saber que mesmo uma pequena diminuição do período de sono ou interrupções podem ter um efeito devastador sobre a "moral" de uma pessoa. Essa é mais uma daquelas coisas que a gente sabe ou devia saber por experiência própria, mas o senso comum, que é construído para servir o poder, insiste em negar. E pra contrariá-lo só pela autoridade das verdades medidas.
http://www.bbc.com/portuguese/geral-41832510

Friday, September 11, 2015

Shinrin-yoku ou uma explicação bioquímica do prazer de passear entre as árvores

Não que se precise de uma explicação desse tipo, mas é interessante que pelo menos alguns prazeres sejam vitais até numa perspectiva ultraobjetiva. Aqui.

Monday, November 4, 2013

Livro: "Crianças francesas comem de tudo"


Link para o site da autora, onde se pode ler um capítulo de graça: http://karenlebillon.com/books/

A princípio esse livro pode parecer não vir ao caso. A autora descreve uma situação inicial calamitosa, em que ela própria tem um paladar super restrito, praticamente não sabe cozinhar, as crianças não comem nada... Mas justamente me "pegou" perceber quanto não só os hábitos alimentares por aqui estão lentamente (ou nem tanto) tendendo a esse padrão muito baixo, mas como nossas atitudes "combativas" vão na mesma linha (anglo-puritana): eu tenho de admitir que frequentemente penso em me opor à miséria alimentar... não deixando a minha família comer besteira, não comprando isso e aquilo, não, não...

Os franceses médios, segundo a autora, não pensam em se opor a nada, mas em gozar cada vez melhor da comida. Associam alimentação a prazer, não a restrição, e entendem prazer não como um fenômeno primitivo e/ou natural, mas como algo que se aprende a obter - que se refina e intensifica. Isso foi o que realmente me interessou. O que é bom é determinado no interior de uma cultura dos sentidos que refina, que faz com que afinal se escolha comer melhor - e menos - o que eles associam a uma "maturidade" (os americanos comem como crianças, dizem). É enfim o a,b,c das ideias de educação, gosto, cultura, mas foi reanimador vê-lo ser descoberto tão cândida e claramente.

Por aqui, o livro me fez passar a por a mesa decentemente, sentar com uma disposição para apreciar ao máximo a refeição e a conversa, variar o cardápio - coisa muito importante, porque eu andava repetindo demais, estava acovardada - e falar com renovado interesse sobre comida com meu marido, sobre o que gostamos, o que estamos com vontade de comer, sobre alimentos que nos fazem bem ou mal... Mais importante ainda, a leitura me fez sentir menos como se eu estivesse me submetendo a uma prova de competência como mãe ao alimentar o meu filho. Nada como uma americana para guiar uma desamericanização...

Tuesday, February 19, 2013

Apresentação de Frei Betto ao documentário Muito além do peso

Alguém indicou no Facebook um artigo do Frei Betto que apresenta um documentário sobre obesidade infantil no Brasil: http://ponto.outraspalavras.net/2013/02/08/como-estamos-envenenando-as-criancas/

Trecho final do artigo:
"Em 18 de dezembro, a Assembleia Legislativa de SP aprovou dois importantes projetos de lei: proibir a venda de lanches associados a oferta de brindes ou brinquedos, e a publicidade de alimentos e bebidas não saudáveis (pobres em nutrientes e com alto teor de açúcar, gorduras saturadas ou sódio) em TVs e rádios das 6h às 21h, e em qualquer horário nas escolas públicas e particulares. Espera-se que o governador Geraldo Alckmin sancione os dois projetos pioneiros para o combate à obesidade infantil no Brasil.
Nota da Redação: No dia 30 de janeiro, o governador Geraldo Alckmin vetou o projeto de lei que limitava a publicidade de alimentos e bebidas não saudáveis. O outro projeto, que proíbe a venda de alimentos associados a ofertas de brindes, ainda não foi apreciado pelo governador."
Nos comentários ao artigo há um link para o documentário. 

Thursday, November 25, 2010

Vídeo: aula de Feldenkrais com um bebê

Feldenkrais é uma técnica corporal que ajuda a reestabelecer a consciência corporal. Basicamente oferecendo a possibilidade de atentarmos de novo para os nossos movimentos e assim experienciá-los, ou seja, existir corporalmente. Hm.

Sempre que tento explicar me saem essas formulações difíceis. Por isso amo esse vídeo, que a Adriana compartilhou no facebook. A gente entende rápido o que é uma existência corporal consciente e lembra que a consciência não é originalmente um troço separado do corpo, tipo um inspetor de casaca olhando tudo de lá de cima e anotando tudo numa caderneta de couro preto.

Existem vários tipos ou formas de consciência - não é nada místico, óbvio -, coisa que nós, adultos ocidentais, costumamos esquecer, empobrecendo assim nossa experiência e eventualmente adoecendo por isso.


Amo esse vídeo também porque ele lembra que tudo o que a fina flor da cultura ensina é o básico esquecido, agora retomado noutro nível - noutra potência, como dizia Schelling, e espero que ele me perdoe a apropriação nesse contexto.

O que nos ajudaria a não fetichizar todas essas coisas, quero dizer, achar que a consciência corporal e as técnicas para desenvolvê-la são um troço muito refinado, que depende de frequentar espaços brancos e caros com jardins bem cuidados.

Friday, October 1, 2010

Mooncup: coletor menstrual


Poucas mulheres sabem da existência desse coletor, pouquíssimas usam e, na minha modesta opinião, todas deveriam experimentar. Mas, como sempre, há mais coisas entre a informação e a prática do que julga a minha vã filosofia. Vamos portanto às objeções que ouvi ao dar o que inocentemente supunha que ser uma boa nova.

Tem gente que não gosta de colocar nada dentro da vagina. Essas não usam nem tampão. De todas as opções, os absorventes me parecem a mais desconfortável, já que eles, pelo menos nesse país tropical, esquentam e abafam. Além disso o cheiro ruim que frequentemente aparece é um sinal de que ali se desenvolvem mais facilmente bactérias indesejáveis. Mesmo que se troque frequentemente, a vagina e os lábios ficam necessariamente lambuzados de sangue, o que pode irritar a pele e provê um meio de cultura quente e úmido - quem já usou tampão e absorvente não pode ter deixado de notar que o cheiro que fica no corpo é muito mais forte com absorvente. Uma consulta com uma ginecologista feminista serviria pra essas mulheres que têm nojo de por o dedo dentro de si verem que o sistema sexual e reprodutor é tão acessível, cognoscível, manipulável e, sobretudo, amável quanto qualquer outra parte do corpo. Ou até mais, já que esses são os órgãos do amor e da vida.

Um pouco sobre essas ginecos especiais. Na consulta, a médica ou enfermeira orienta a paciente a introduzir o "bico de pato" (aquele aparelho que abre a vagina para o exame), depois, com um espelho, mostra as diferentes partes, e depois, com um modelo, explica onde fica o útero etc. Você deita numa cama, e não fica naquela posição de frango assado sem ver o que o outro está fazendo com o seu corpo. Pode perguntar o que quiser, a pessoa não vai responder friamente nem te tirar de ignorante, como às vezes (pra ser generosa) os médicos fazem. O lugar que eu conheço aqui em São Paulo chama Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e fica perto do Largo de Pinheiros. Recomendo muito, pra todas.

Mas então, continuando com a história do mooncup. Tem gente que acha que com o coletor vai haver mais contato com o sangue, e tem gente que tem nojo de tocar o próprio sangue. Isso vem, me parece, de duas fontes. A primeira é a associação entre sangue e morte. Quando a gente vê sangue é porque um corpo se abriu, o que deve ficar dentro saiu. Tem gente que desmaia de ver sangue, mesmo em pequenas quantidades. Se o nojo do sangue deriva do medo da morte, aí só tratamento psicológico fuerte.

A segunda causa da repulsa ao sangue me parece a associação com contaminação, doença. Não estou dizendo que sangue não é contaminante, mas o seu próprio sangue não vai te contaminar com nada que você já não tenha, e se trata, afinal, de tocá-lo com as mãos. Além disso, e aí o sentimento está apenas vagamente relacionado ao medo da doença, o sangue menstrual tem coágulos e uma viscosidade maior, mas quem só quer tocar substâncias homogêneas também tem que ter nojo de terra, de grama, de muita comida... É uma questão pessoal, mas acho que quanto menos nojos injustificados a gente tem, melhor.

Finalmente, e aqui é um temor justificado, tem a questão de saber se o troço é higiênico e seguro. As intruções dizem pra jogar o sangue na privada, lavar com água e sabão ou, se não for possível, simplesmente limpar com papel higiênico e reinserir na vagina. No fim de cada ciclo ele deve ser esterelizado por fervura ou por imersão numa solução esterelizante. Mas o procedimento durante o ciclo não favorece infecções, já que você não esteriliza o copinho? Escrevi um email pro fabricante e as responsáveis me responderam o seguinte:


"We were really careful to choose a material that is certified safe for internal use and does not encourage bacterial growth-medical grade silicone.

The vagina is a self -cleansing organ, and is active in keeping itself clean and safe. Daily vaginal discharge protects the vagina and keeps it healthy and this continues during the period too.

The Mooncup has never been associated with Toxic Shock syndrome or with an increased risk of bacterial infection."


"Tomamos realmente muito cuidado para escolher um material certificado como seguro para uso interno e que não propicia crescimento bacteriano - silicone para uso medicinal.

A vagina é um órgão autolimpante, desenvolve atividade para manter-se limpa e sã. A secreção vaginal diária protege a vagina e a mantém saudável, e isso prossegue durante o período menstrual também.

O mooncup nunca foi associado com a Síndrome do Choque Tóxico ou com um maior risco de infecção bacteriana".


Vou perguntar se há algum estudo científico, e volto a escrever. O coletor foi aprovado pelo FDA em 2006 (e creio que não havia nenhuma grande indústria pressionando por essa aprovação). Como produto, ganhou diversos prêmios. Se você se adapta, pode deixar de consumir parte dos mais de 10.000 tampões ou absorventes que uma mulher usa durante sua vida menstrual e seu bolso e a natureza agradecem. O mooncup não dura toda vida, mais precisa ser trocado apenas após anos. O site do fabricante inglês tem um FAQ para outras dúvidas, um email para outras perguntas (escrevi de manhã e me responderam na hora do almoço - ou seja, imediatamente, se a gente conta com a diferença de horário) e instruções para compra, para quem se interessar (inclusive existem "distribuidoras" aqui no Brasil).