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Wednesday, April 19, 2017
Saturday, October 22, 2016
Sunday, October 16, 2016
Saturday, October 15, 2016
Tuesday, August 16, 2016
Spirogyra 2
Daqui a poucos meses, vamos embora. Donde a Olimpíada ser um momento privilegiado de reflexão sobre essa pátria mãe gentil e sua prole.
Hoje, de novo, um brasileiro estava a ponto de ganhar uma medalha, podia ser de prata, se o americano errasse, de bronze, se não. O americano errou.
O brasileiro conseguiu quebrar o recorde olímpico no salto seguinte. Agora, se o francês errasse, era ouro. E a torcida vaiou enquanto o francês se preparava pra sua última tentativa. Ele fez um gesto com o polegar pra baixo. O pessoal continuou vaiando. E o cara errou.
Na tv, os narradores esportivos torciam pelo erro. Os espectadores mandaram seus vídeos torcendo pelo erro. Talvez na sua casa seja ok torcer para que alguém erre, mas em grupo e na cara do camarada não é. Não é.
Update: o francês, La Villenie, foi vaiado na cerimônia de premiação, com a desculpa de que ele tinha xingado a torcida no twitter, e chorou. O brasileiro que ganhou a medalha de ouro foi lá depois conversar com ele e pedir desculpas pelo comportamento do público.
Hoje, de novo, um brasileiro estava a ponto de ganhar uma medalha, podia ser de prata, se o americano errasse, de bronze, se não. O americano errou.
O brasileiro conseguiu quebrar o recorde olímpico no salto seguinte. Agora, se o francês errasse, era ouro. E a torcida vaiou enquanto o francês se preparava pra sua última tentativa. Ele fez um gesto com o polegar pra baixo. O pessoal continuou vaiando. E o cara errou.
Na tv, os narradores esportivos torciam pelo erro. Os espectadores mandaram seus vídeos torcendo pelo erro. Talvez na sua casa seja ok torcer para que alguém erre, mas em grupo e na cara do camarada não é. Não é.
Update: o francês, La Villenie, foi vaiado na cerimônia de premiação, com a desculpa de que ele tinha xingado a torcida no twitter, e chorou. O brasileiro que ganhou a medalha de ouro foi lá depois conversar com ele e pedir desculpas pelo comportamento do público.
Sunday, August 14, 2016
Spirogyra, ou o vampirismo do Brasil
Eu estava assistindo aos jogos olímpicos. Aqui do lado, mas parece que é noutro mundo, tão inacessível, o Rio de Janeiro. Na Candelária do massacre, o fogo grego no centro de uma escultura que gira e gira e gira. Hoje dois brasileiros fizeram a final da ginástica de solo. Estavam em segundo e terceiro lugar, faltavam dois atletas. Um por um, a plateia ensandecida comemorou os erros deles. Em alto e bom som. Veja bem, não no final da apresentação, o que teria sido já muito cruel, mas enquanto eles ainda se apresentavam. Que tristeza, uma tristeza funda de saber daquela crueldade de trás pra frente, de cor e salteada.
E depois os vencedores começaram a chorar de alegria, a se abraçar, abraçar os treinadores. Difícil ver alguém tão feliz e comovido e não se sentir feliz por ele. Antes eu tinha imediatamente gemido de dó do cara que errou e ficado com os olhos marejados de vergonha da torcida. Perder porque o outro foi brilhante é uma coisa, perder porque se ficou como que abaixo de si mesmo é outra. Como alguém pode comemorar uma dor dessas?
Ironicamente, a narrativa da tv e do jornalão enaltecia um dos brasileiros porque ele havia caído de bunda no chão na olimpíada anterior, quando era o favorito dessa prova. E havia sido avacalhado por isso, "nas redes sociais". Ah, ele está tão emocionado porque deu a volta por cima, superou tudo, mas sobretudo, todos.
Finalmente, descubro no jornalão que o outro ginasta-agora-heroi fez umas brincadeiras racistas com um outro, que não entrou. E que disse que eles se entenderam e está tudo resolvido, que deseja tudo de bom pro cara que comparou a pele dele a um saco de lixo. A pira gira. O giro pira. Spirogyra é spairodjaira. O Rio de Janeiro continua lindo, vanguarda da barbárie.
Quem puder, leia a crônica do Antonio Prata, "E se nossos fracassos fossem transmitidos ao vivo?" E os comentários bárbaros no page bottom.
P.s. o medalhista de ouro, britânico, comemorou discretamente, não sei se intimidado, porque é assim mesmo na terra dele ou o quê. Eis algo que eu gostaria de saber.
P.s 2: O camarada que ficou com o bronze, o mesmo das piadas racistas, bateu continência no pódio, porque recebe o apoio das forças armadas. Inclusive é oficial.
E depois os vencedores começaram a chorar de alegria, a se abraçar, abraçar os treinadores. Difícil ver alguém tão feliz e comovido e não se sentir feliz por ele. Antes eu tinha imediatamente gemido de dó do cara que errou e ficado com os olhos marejados de vergonha da torcida. Perder porque o outro foi brilhante é uma coisa, perder porque se ficou como que abaixo de si mesmo é outra. Como alguém pode comemorar uma dor dessas?
Ironicamente, a narrativa da tv e do jornalão enaltecia um dos brasileiros porque ele havia caído de bunda no chão na olimpíada anterior, quando era o favorito dessa prova. E havia sido avacalhado por isso, "nas redes sociais". Ah, ele está tão emocionado porque deu a volta por cima, superou tudo, mas sobretudo, todos.
Finalmente, descubro no jornalão que o outro ginasta-agora-heroi fez umas brincadeiras racistas com um outro, que não entrou. E que disse que eles se entenderam e está tudo resolvido, que deseja tudo de bom pro cara que comparou a pele dele a um saco de lixo. A pira gira. O giro pira. Spirogyra é spairodjaira. O Rio de Janeiro continua lindo, vanguarda da barbárie.
Quem puder, leia a crônica do Antonio Prata, "E se nossos fracassos fossem transmitidos ao vivo?" E os comentários bárbaros no page bottom.
P.s. o medalhista de ouro, britânico, comemorou discretamente, não sei se intimidado, porque é assim mesmo na terra dele ou o quê. Eis algo que eu gostaria de saber.
P.s 2: O camarada que ficou com o bronze, o mesmo das piadas racistas, bateu continência no pódio, porque recebe o apoio das forças armadas. Inclusive é oficial.
Thursday, August 6, 2015
Da mandioca à tapioca (e muitas outras coisas boas) 1
Anos atrás, quando eu ainda era uma estudante universitária que ia (caminhando) a cachoeiras, poucas pessoas conheciam tapioca. Os imigrantes nordestinos, lógico. Gente que tinha ido para o Nordeste ou que tinha amigos de lá e eventualmente aprendia a fazer pra ter um gostinho das férias em pleno perrengue paulista. Depois um iluminado pôs uma banquinha perto do parque Villa Lobos à qual se seguiram outras, fenômeno que deve ter acontecido noutros lugares do tipo.
Mas agora é outra escala: parece que todo mundo que eu conheço, ex-mochileiro ou não, nordestino, amigo ou descendente de nordestino ou não, está fazendo tapioca. Bom, um dia a verdade vence, pelo menos em alguns casos e ainda que não pelas razões mais retas. Me explico: acho que a febre da tapioca se deve ao fato de que ela não tem glúten e 1. a intolerância ao glúten está na moda (coisa intrigante) e 2. é uma opção para substituir o pão nos regimes que restringem ou proíbem glúten. Pra mim, no entanto, os melhores motivos para adotar a tapioca são: que é barata, rápida e fácil de fazer e, o decisivo, é deliciosa.
Enfim, recentemente, depois de várias tapiocas por aí, resolvi aprender, pra comer sempre que der vontade. A alegria que eu senti é como a de outras aprendizagens práticas... como a de aprender a fazer pão, macarrão, dirigir, qualquer coisa que melhora a vida e te dá mais autonomia. E, claro, comecei a pensar... Qual a diferença entre farinha e polvilho? E Maisena? E entre os polvilhos? E a mandioca, é só brasileira? E assim por diante.
O único ingrediente da tapioca - e uma das farinhas do pão de queijo e de outras tantas coisas gostosas - é o polvilho doce, extraído de mandioca (em inglês, cassava). Update: nos informaram de que o polvilho azedo também serve, e serve mesmo, apesar de todas as receitas que eu consultei indicarem só o polvilho doce. Fizemos só uma vez e achamos que ficou mais "borrachenta" ou massuda, mas é só fazer uma massa mais fina que resolve.
Pra quem não é do Brasil ou para brasileiros muito distraídos: a mandioca é nativa da América do sul, é a base da alimentação tradicional dos índios (e dos outros brasileiros). Há duas variedades, a brava e a mansa. A brava tem altas concentrações de ácido cianídrico (um veneno poderoso que mata porque se combina com a hemoglobina e portanto impede o transporte do oxigênio) e requer um tratamento especialmente longo ou intenso para virar alimento; a mansa, chamada também de macaxeira, tem menos ácido, que o cozimento faz evaporar.
Bom, o polvilho é o amido da mandioca. As raízes são moídas ou raladas. Coloca-se bastante água na massa resultante e a coisa vira um caldo branco espesso (uma suspensão), que então é coado - só o amido e a água passam pelo filtro. O processo pode ser repetido, o que retira mais e mais amido da massa. Se todo o amido for retirado, o que sobra é, uma vez seco, uma farinha de má qualidade (lógico, o amido é o gostoso).
Deixa-se o caldo de água e amido descansar; o amido decanta, tira-se a água. Sobram uns "blocos" que secam e depois são moídos: eis o amido doce. Ou pode-se deixar o caldo fermentar e então secá-lo e moer o que decantar, e o resultado é o amido azedo. Eles têm gostos e propriedades culinárias diferentes. A tapioca é feita de amido doce, que é o mais grudento (lógico, a fermentação consome parte do amido, que é o que gruda). Ah, está escrito no rótulo da Maisena "amido de milho". Milho, não mandioca. Fécula, a outra palavra que aparece, é "farinha rica em amido". E eu a vida toda achando que era um troço... sei lá.
Há muitos vídeos que ensinam a hidratar o polvilho para fazer a massa de tapioca. Quem sabe da próxima eu também faço um.
Mas agora é outra escala: parece que todo mundo que eu conheço, ex-mochileiro ou não, nordestino, amigo ou descendente de nordestino ou não, está fazendo tapioca. Bom, um dia a verdade vence, pelo menos em alguns casos e ainda que não pelas razões mais retas. Me explico: acho que a febre da tapioca se deve ao fato de que ela não tem glúten e 1. a intolerância ao glúten está na moda (coisa intrigante) e 2. é uma opção para substituir o pão nos regimes que restringem ou proíbem glúten. Pra mim, no entanto, os melhores motivos para adotar a tapioca são: que é barata, rápida e fácil de fazer e, o decisivo, é deliciosa.
Enfim, recentemente, depois de várias tapiocas por aí, resolvi aprender, pra comer sempre que der vontade. A alegria que eu senti é como a de outras aprendizagens práticas... como a de aprender a fazer pão, macarrão, dirigir, qualquer coisa que melhora a vida e te dá mais autonomia. E, claro, comecei a pensar... Qual a diferença entre farinha e polvilho? E Maisena? E entre os polvilhos? E a mandioca, é só brasileira? E assim por diante.
O único ingrediente da tapioca - e uma das farinhas do pão de queijo e de outras tantas coisas gostosas - é o polvilho doce, extraído de mandioca (em inglês, cassava). Update: nos informaram de que o polvilho azedo também serve, e serve mesmo, apesar de todas as receitas que eu consultei indicarem só o polvilho doce. Fizemos só uma vez e achamos que ficou mais "borrachenta" ou massuda, mas é só fazer uma massa mais fina que resolve.
Pra quem não é do Brasil ou para brasileiros muito distraídos: a mandioca é nativa da América do sul, é a base da alimentação tradicional dos índios (e dos outros brasileiros). Há duas variedades, a brava e a mansa. A brava tem altas concentrações de ácido cianídrico (um veneno poderoso que mata porque se combina com a hemoglobina e portanto impede o transporte do oxigênio) e requer um tratamento especialmente longo ou intenso para virar alimento; a mansa, chamada também de macaxeira, tem menos ácido, que o cozimento faz evaporar.
Esta imagem é do processo rústico, veio do site Agrofloresta, em que se pode ver todo o processo.
Bom, o polvilho é o amido da mandioca. As raízes são moídas ou raladas. Coloca-se bastante água na massa resultante e a coisa vira um caldo branco espesso (uma suspensão), que então é coado - só o amido e a água passam pelo filtro. O processo pode ser repetido, o que retira mais e mais amido da massa. Se todo o amido for retirado, o que sobra é, uma vez seco, uma farinha de má qualidade (lógico, o amido é o gostoso).
Deixa-se o caldo de água e amido descansar; o amido decanta, tira-se a água. Sobram uns "blocos" que secam e depois são moídos: eis o amido doce. Ou pode-se deixar o caldo fermentar e então secá-lo e moer o que decantar, e o resultado é o amido azedo. Eles têm gostos e propriedades culinárias diferentes. A tapioca é feita de amido doce, que é o mais grudento (lógico, a fermentação consome parte do amido, que é o que gruda). Ah, está escrito no rótulo da Maisena "amido de milho". Milho, não mandioca. Fécula, a outra palavra que aparece, é "farinha rica em amido". E eu a vida toda achando que era um troço... sei lá.
Há muitos vídeos que ensinam a hidratar o polvilho para fazer a massa de tapioca. Quem sabe da próxima eu também faço um.
Friday, September 3, 2010
Conceição do Mato Dentro
Esse lugar é um restaurante, e pro meu gosto autêntico demais, tipo muito autêntico de verdade mesmo, viu?
Mas gostei da santa negra respaldada pela peneira. E a cozinheira (o/s) era autêntica (o/s), que é o que interessa.
Do lado de fora havia uma capelinha com essa porta tão bonita.
Thursday, September 2, 2010
Ainda a Serra do Cipó
Cachoeira da Farofa ou, para os íntimos, Cachoeira do Overlock. Fica dentro do parque, a oito quilômetros da portaria. A maior parte do caminho é por uma estrada no vale plano, o solo é mistura de areia branca e uma terra muito escura que deixa o pé irremediavelmente encardido. É permitido entrar nas trilhas a cavalo, e por isso há esterco pelo caminho, o que não deixa de ser estranho pra quem já andou por outros parques nacionais. Mas perto da cachoeira os cavalos não entram - porque aí é trilha mesmo, tem que andar nas pedras etc.
Wednesday, September 1, 2010
Minas
Até semana passada eu não tinha realmente entendido que Minas é um país.






Essa cachoeira fica do lado de fora do parque e atende pelo original e sugestivo nome de Véu da Noiva. O fio d 'água da segunda foto cai setenta metros até o poço - a mancha verde na fenda nas imagens seguintes. Dá pra deitar na pedra da direita e olhar através do imenso espaço vazio para o cerrado cheio de buritis no vale.
Sunday, August 22, 2010
Congada de São Benedito
O vídeo não é de hoje (o que eu quis postar foi o segundo, filmado no bairro do Motor, em
Cunha), mas esse foi o grupo, acho, que vimos em Santana de Parnaíba.
Cunha), mas esse foi o grupo, acho, que vimos em Santana de Parnaíba.
Só que eles estavam usando uns cintinhos de couro com guizos nos joelhos que fazem a dança ter um efeito musical. E a coisa toda junta dá, digamos, um grau...
E procurando por imagens deles, dei com essa coleção: http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/vale-das-festas/
Que me fez lembrar as fotos da Rússia de cem anos atrás, de ontem.
Depois de horas rolaram as músicas de despedida. Os bailarinos colocaram as varas no chão e tiraram os cintos de guizos dos joelhos. O estandarte de São Benedito passou no meio das fileiras e cada um tirou o chapéu e beijou as fitas. A última música dizia algo como "adeus, até breve, vamos nos encontrar no Paraíso".
O Tietê ou um afluente igualmente poluído fedia na pracinha colonial e achamos por bem voltar pra casa, sublimados e nauseados. Que tempos.
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