Monday, November 4, 2013

Livro: "Crianças francesas comem de tudo"


Link para o site da autora, onde se pode ler um capítulo de graça: http://karenlebillon.com/books/

A princípio esse livro pode parecer não vir ao caso. A autora descreve uma situação inicial calamitosa, em que ela própria tem um paladar super restrito, praticamente não sabe cozinhar, as crianças não comem nada... Mas justamente me "pegou" perceber quanto não só os hábitos alimentares por aqui estão lentamente (ou nem tanto) tendendo a esse padrão muito baixo, mas como nossas atitudes "combativas" vão na mesma linha (anglo-puritana): eu tenho de admitir que frequentemente penso em me opor à miséria alimentar... não deixando a minha família comer besteira, não comprando isso e aquilo, não, não...

Os franceses médios, segundo a autora, não pensam em se opor a nada, mas em gozar cada vez melhor da comida. Associam alimentação a prazer, não a restrição, e entendem prazer não como um fenômeno primitivo e/ou natural, mas como algo que se aprende a obter - que se refina e intensifica. Isso foi o que realmente me interessou. O que é bom é determinado no interior de uma cultura dos sentidos que refina, que faz com que afinal se escolha comer melhor - e menos - o que eles associam a uma "maturidade" (os americanos comem como crianças, dizem). É enfim o a,b,c das ideias de educação, gosto, cultura, mas foi reanimador vê-lo ser descoberto tão cândida e claramente.

Por aqui, o livro me fez passar a por a mesa decentemente, sentar com uma disposição para apreciar ao máximo a refeição e a conversa, variar o cardápio - coisa muito importante, porque eu andava repetindo demais, estava acovardada - e falar com renovado interesse sobre comida com meu marido, sobre o que gostamos, o que estamos com vontade de comer, sobre alimentos que nos fazem bem ou mal... Mais importante ainda, a leitura me fez sentir menos como se eu estivesse me submetendo a uma prova de competência como mãe ao alimentar o meu filho. Nada como uma americana para guiar uma desamericanização...

Thursday, October 17, 2013

Quase dois anos

- A mamãe sonhou essa noite. Você sonhou?
- Soiô cacaúca, cocó. (tartaruga, galinha)

Wednesday, July 31, 2013

Câncer e antenas de celular

81,37% das pessoas que morreram de cânceres reconhecidamente causáveis por radiação eletromagnética ("próstata, mama, pulmão, rins, fígado, por exemplo") em Belo Horizonte de 1996 a 2006 moravam a até 500 metros de antenas de celular. Este é o resultado da pesquisa de doutorado de Adilza Condessa Dode, cuja tese foi defendida na UFMG em março de 2010.

Link para a tese.

Link para o resumo no boletim da UFMG.

"Cozinho, logo existo"

Artigo da neurocientista Suzana Herculano-Houzel lido na Folha de 21/07. Link.

Friday, July 5, 2013

Mais uns versos do Devendra

"When you finally break my legs
and I can never leave the house again
then I'll finally love you
we could have some kids"

Quando você finalmente quebrar as minhas pernas
e eu nunca mais puder sair da casa
então finalmente vou te amar
a gente podia ter uns filhos

Que me fazem pensar no Une femme est une femme,
e, mais fundo no passado, em Freud dizendo que a mulher é inimiga da ciência e da sociedade porque preferiria que o marido não saísse de casa - tenso, tenso, faz pensar também na louca da filha dele(s).